2017/09/18

Il tredicesimo è sempre Giuda (1971 / Realizador: Giuseppe Vari)

É dia de festa na localidade de Sonora, México. O capitão Ned Carter, ex-oficial do Exército Confederado, vai-se casar com Mary Belle. Os convidados comem e bebem à discrição. Estão 13 convidados sentados à mesa. Treze piratas de primeira categoria. Há de tudo: ladrões, foragidos, batoteiros, bêbados, desertores, espiões, sem esquecer juízes corruptos, padres fornicadores, mulheres adúlteras e maridos cornudos! Um deles diz que treze pessoas sentadas na mesma mesa dá azar. Ninguém lhe passa cartão, obviamente. A noiva chega ao local na diligência mas surpreendentemente todos os passageiros foram assassinados (Mary Belle incluída). Os homens vasculham a zona em busca dos culpados pelo massacre. As buscas não dão em nada.

Donald O'Brien em estado de alerta.

Um por um, os homens que estavam no banquete começam a cair que nem tordos. Fala-se na maldição do número 13. A casa de putas revela-se um bom sítio para saber algo mais sobre o mistério. Um perigo mortal espreita em todas as esquinas porque os homens continuam a morrer. Andam todos com o cu às bufas! E as gajas, jeitosas e loucas de tesão, não são de confiança!

Vou-te fazer a barba!

Consta que a defunta noiva tinha herdado uma mina do seu falecido pai mas agora essa mesma mina está repleta de assustadoras caveiras no interior de uma das galerias. Porquê? O que aconteceu? O casamento de Mary Belle e Ned Carter era assim tão inocente como parecia? Eis uma história de crime e mistério no Velho Oeste.

Posters | Vivi o, preferibilmente, morti (1969)


2017/08/22

Quintana (1969 / Realizador: Vincenzo Musolino)

Depois de se aventurar na realização com a sequela da personagem Cjamango, “Chiedi perdono a Dio... non a me”, Vincenzo Musolino atira-se a um novo personagem. Desta vez presenteia-nos com um herói que tanto deve a Zorro como ao «homem sem nome». Num género repleto de pistoleiros trombudos saúda-se a introdução de um mexicano pé rapado como protagonista. O dito é Quintana, defensor da liberdade e principal oponente dos opressores locais. Qualquer semelhança com as aventuras originais de Zorro não será  coincidência. Mas curiosamente este Quintana prefere o poncho à capa negra, poncho esse que não difere por aí além daquele que Clint Eastwood usa na série dos «dólares», mais uma vez, não terá sido uma coincidência. Aliás, esta não é a única situação paralela com os westerns de Sergio Leone. A páginas tantas um trio de caçadores de recompensas surgem trajados com gabardinas, em tudo idênticas ás dos três assassinos que abrem as hostes em “C'era una volta il West”. Antes disso a câmara vai passeando pelas ventas destes numa tentativa descarada de replicar a mítica introdução do filme de Sergio Leone. O resultado não é brilhante, sublinhe-se.

Um Zorro sem capa nem espada, mas com poncho e revolver.

O enredo é preenchido com pitadas de romance e luta pelos valores da liberdade. O vilão de serviço é Don Juan De Leyra (Aldo Bufi Landi), que subjuga com mão de ferro a população de um vilarejo algures no México. Nos tempos livres Don Juan corteja a belíssima e riquíssima Virginia De Leon (Femi Benussi), que estando enamorada por Manuel (Celso Faria) está-se nas tintas para ele. O manhoso regente usa então o seu poder e influência para mandar prender o prometido da cachopa, Manuel, chantageando-a então para que aceite casar com ele.

Lamento Don Juan: O amor não está no ar!

Este foi o segundo e último western realizado por Musolino, que faleceria pouco depois do seu lançamento. Musolino produziu, escreveu e realizou durante a sua curta carreira, sendo porventura esta ultima função, aquela que menos dominou. Nota-se que tentou dar um toque diferente no uso de planos, usando abusivamente câmeras inclinadas e outros pormenores, mas depois perde-se no excesso de perseguições a cavalo. Nesse aspecto, tendo o filme sido rodado em Itália, nota-se claramente o défice de boas localizações para cenas de exteriores, o que faz com que frequentemente sejam aplicadas transições de cena completamente incoerentes, não muito melhores daquilo que nos habituamos a ver nos filmes de Demofilo Fidani ou Gianni Crea.

Onde é que já vi isto?

Actualmente existem várias formas de ver o filme, mas como as edições DVD parecem estar já fora de circulação e isto também não está para gastar dinheiro em parvoíces, recomendo uma passagem pelo youtube, por exemplo aqui.

2017/08/08

Lo straniero di silenzio (1969 / Realizador: Luigi Vanzi)

Nas montanhas geladas do Klondike, nos Estados Unidos da América, o nosso bem conhecido Stranger encontra um homem moribundo. O indivíduo, de nacionalidade japonesa, revela-lhe um segredo sobre uma fortuna em dinheiro e dá-lhe um pequeno pergaminho antes de morrer. Sem hesitar, Stranger viaja imediatamente para o Japão em busca dessa bendita fortuna. Chega ao país do sol nascente, cedo se apercebe que o modo de vida e a cultura do país é muito diferente dos costumes ocidentais e rapidamente arranja confusão com os nativos. Uma miúda japonesa ajuda-o como tradutora, deixando bem claro que o americano pretende trocar o pergaminho por dinheiro. Mas aquela zona vive tempos turbulentos, há uma guerra violenta entre clãs e aquele pergaminho desperta a cobiça de pessoas importantes.

Uma metralhadora de pôr os olhos em bico!

Chegado a uma aldeia, Stranger vê um grupo de perigosos bandidos a exigirem o pagamento imediato de impostos aos habitantes. Os que não pagam são executados. Stranger prefere fugir do que lutar mas não fica a salvo porque, após várias tentativas de assassinato (inclusive mulheres com facas dentro da sauna) e após as habituais sovas e humilhações (até o põem pendurado como espantalho), o homem encontra dentro de um baú um antigo arcabuz capaz de fazer estragos consideráveis em todos aqueles que o chatearam! Este é o terceiro filme da saga “Stranger”, protagonizada pelo ator americano Tony Anthony e dirigida por Luigi Vanzi (pseudónimo Vance Lewis).

Stranger leva na trombra, de novo!

Na minha opinião, os filmes foram perdendo gás à medida que foram aparecendo: o primeiro filme é bom, o segundo já não é tão bom, este terceiro registo é pior que os anteriores. Em jeito de conclusão, e no meio de tantas espadas afiadas, “senseis”, “dojos” e samurais gordos, magros, barbudos, altos, baixos e anões, fica registada a melhor frase de todo o filme: “Há apenas duas certezas na vida: a morte e os impostos”.
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